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  • Foto do escritor: Ney Anderson Bedin
    Ney Anderson Bedin
  • 12 de mai.
  • 7 min de leitura

FF12 - Start Your Engines



TOM DO FILME

É o filme que explica a origem dos personagens principais. Diferente dos filmes mais recentes da franquia, este seria: íntimo; melancólico; urbano; humano; menos explosões; mais silêncio, motores e solidão. Visualmente: Los Angeles dos anos 90; postos de gasolina fluorescentes; oficinas decadentes; diners; bairros operários; chuva no asfalto; hip hop old school; rock de garagem; motores aspirados. O filme inteiro acontece uns dez anos antes do primeiro The Fast and the Furious.


Eles ainda não são “família”.São apenas jovens tentando sobreviver.


“Nem todo mundo escolhe a estrada. Às vezes ela escolhe você.”


ESTRUTURA


ATO 1 “CIDADES GRANDES ESCONDEM GENTE PERDIDA”


DOMINIC TORETTO — 17 anos


Dom trabalha com o pai na oficina. O pai ainda está vivo. Ele é duro, mas um homem bom, exigente e respeitado nas corridas locais. Dom fala pouco; vive sujo de graxa; protege Mia;

odeia escola; ama motores. Mas ainda sorri. Ele quer ser piloto. Ainda existe luz nele.


Talvez uma pequena cena importante:


O pai diz: “Carro é simples.Você escuta ele. Ele fala com você. As pessoas… mentem.”

Essa frase define Dom pelo resto da vida.


MIA TORETTO — 15 anos


Mia trabalha meio período num pequeno diner. Ela sonha discretamente:- faculdade;

sair dali; vida tranquila. Mas percebe que o irmão está se tornando agressivo. Ela sente medo do futuro.


LETTY ORTIZ — 16 anos


Letty vive numa casa caótica. O padrasto bebe; grita; controla tudo. A mãe trabalha demais e finge não ver. Letty foge para oficinas clandestinas porque motores fazem mais sentido do que pessoas. Ela aprende mecânica observando homens trabalhando. Ninguém ensina.

Ela que se vira para aprender. Ninguém a valoriza, mesmo assim.


PRIMEIRO CRUZAMENTO DOS PERSONAGENS:


Posto de gasolina de noite. Dom chega com o pai. Letty está escondida atrás do prédio limpando sangue do lábio. Dom percebe. Eles não se conhecem. Ele joga um pano limpo pra ela. Só isso. Ela diz: “Valeu.”


Ele responde: “Seu carro tá vazando óleo.”


Ela olha surpresa. Ele vai embora. Anos depois ela lembraria daquele momento.


BRIAN O'CONNER — 17 anos


Brian vive numa área suburbana mais organizada. Mas emocionalmente ele está vazio. Seu melhor amigo, Nate ama corridas ilegais; sonha em virar piloto. Brian entra nisso mais pela amizade do que pela adrenalina.


SEGUNDO CRUZAMENTO


Sinal vermelho — fim de tarde. Brian para ao lado do Charger do pai de Dom. Dom está no banco do passageiro. Os dois se encaram rapidamente. Brian admira o carro. Dom percebe.


Brian pergunta: “440?”


Dom: “426.”


Sinal abre. Os carros seguem. Fim da conversa. Nunca se lembrarão disto.


ATO 2 — “AS VEZES AS COISAS DÃO MUITO ERRADO


A tragédia de Letty


O padrasto agride violentamente Letty após descobrir que ela está correndo ilegalmente. Não há glamour. A cena é seca.Silenciosa.Horrível. Depois o padrasto se aproxima de forma desvirtuada. O abuso é implícito. Letty foge de casa; dorme em oficinas;

começa pequenos furtos; abandona escola. Ela entra definitivamente na margem da sociedade. Mas também nasce sua independência brutal.


A morte do pai de Dom


Numa corrida local há uma sabotagem mecânica. Acidente fatal. Dom vê e entende tudo. A sequência é longa e silenciosa. Sem música. Só metal; fogo; respiração; Mia chorando.

Depois do funeral Dom para de sorrir; abandona escola; assume oficina; torna-se violento. Mia percebe:o irmão morreu junto com o pai.


A tragédia de Brian


Brian participa de uma corrida improvisada com Nate. Chuva. Pneus ruins. Nate bate violentamente. Morre. Brian dirigia atrás. Ele presencia tudo. A polícia trata Nate como lixo descartável.


Brian sente culpa; revolta; vazio. É ali que nasce o conflito:ele passa a odiar o sistema mas também deseja ordem. Termina estudando para a academia de cadetes da polícia, levado por um tio.


ATO 3 — “START YOUR ENGINES”


Todos estão mudados. Todos perderam algo. Todos agora vivem mais próximos da rua;

mais próximos dos carros; mais longe dos sonhos convencionais.


LETTY


Agora trabalha ilegalmente numa oficina. Mais fria.Mais rápida.Mais perigosa. Calejada da vida ainda jovem. Vive num quartinho. Sobrevive.


DOM


Transforma a oficina do pai em ponto de encontro automotivo. Mas ainda está sozinho. Não sabe lidar com as contas. A irmã não aceita fácil sua liderança.


BRIAN


Começa a frequentar corridas clandestinas. Não pertence àquele mundo. Mas também não pertence ao outro.


CENA FINAL


Grande corrida noturna industrial em Los Angeles. Todos presentes. Sem saber.

Montagem cruzada: Letty ajusta motor; Dom fecha capô; Brian observa tudo fascinado;

Mia trabalha discretamente numa barraca; motores ligando; neon refletido no asfalto. Quase se esbarram diversas vezes. Mas nunca se encontram oficialmente (é a tensão do filme que não se realiza ali).


Então Um locutor grita:


“START YOUR ENGINES!”


Motores rugem. Tela preta.


CENA PÓS-CRÉDITOS


Dom vê Letty finalmente correndo. Ela pilota absurdamente bem. Ele sorri pela primeira vez desde a morte do pai. Corta antes dela vê-lo.


MENSAGEM FINAL


O filme inteiro gira em torno de uma ideia simples: A maioria das pessoas não vive o futuro que imaginou aos 15 anos. Mas ainda assim pode encontrar significado; pertencimento; dignidade; pequenas alegrias; pessoas. Mesmo em estradas erradas. Mesmo com peças quebradas. Mesmo começando tarde.




ENGLISH


FF12 - START YOUR ENGINES


FILM TONE


Its a prequel. Unlike the more recent films in the franchise, this one would be: intimate; melancholic; urban; human; fewer explosions; more silence, engines, and solitude. Visually: 1990s Los Angeles; fluorescent gas stations; dilapidated workshops; diners; working-class neighborhoods; rain on the asphalt; old-school hip hop; garage rock; naturally aspirated engines. The entire film takes place about ten years before the first The Fast and the Furious.


They are not yet "family." They are just young people trying to survive.


"Not everyone chooses the road. Sometimes it chooses you."


STRUCTURE


ACT 1 "BIG CITIES HIDE LOST PEOPLE"


DOMINIC TORETTO — 17 years old


Dom works with his father in the workshop. His father is still alive. He is tough, but a good man, demanding and respected in the local races. Dom speaks little; lives covered in grease; protects Mia;


hates school; loves engines. But he still smiles. He wants to be a pilot. There's still light in him.


Perhaps a small but important scene:


The father says: “Cars are simple. You listen to them. They talk to you. People… lie.”


This phrase defines Dom for the rest of his life.


MIA TORETTO — 15 years old


Mia works part-time at a small diner. She dreams discreetly: college;


getting out of there; a quiet life. But she notices her brother is becoming aggressive. She's afraid of the future.


LETTY ORTIZ — 16 years old


Letty lives in a chaotic house. Her stepfather drinks; shouts; controls everything. Her mother works too much and pretends not to see. Letty runs away to clandestine workshops because engines make more sense than people. She learns mechanics by watching men work. Nobody teaches her.


She has to figure it out on her own. Nobody values ​​her, even so.


FIRST CHARACTER INTERSECTION:


Gas station at night. Dom arrives with his father. Letty is hiding behind the building, wiping blood from her lip. Dom notices. They don't know each other. He throws her a clean cloth. That's all. She says, "Thanks."


He replies, "Your car's leaking oil."


She looks surprised. He drives away. Years later she would remember that moment.


BRIAN O'CONNER — 17 years old


Brian lives in a more organized suburban area. But emotionally he's empty. His best friend, Nate, loves illegal street racing; he dreams of becoming a driver. Brian gets into it more for the friendship than the adrenaline.


SECOND INTERSECTION


Red light — late afternoon. Brian pulls up next to Dom's father's Charger. Dom is in the passenger seat. They glance at each other briefly. Brian admires the car. Dom notices.


Brian asks, "440?"


Dom: "426."


The light turns green. The cars continue. End of conversation. They will never remember this.


ACT 2 — “SOMETIMES THINGS GO VERY WRONG”


Letty's tragedy


Letty's stepfather violently assaults her after discovering she's racing illegally. There's no glamour. The scene is stark. Silent. Horrible. Then the stepfather approaches her in a perverse way. The abuse is implicit. Letty runs away from home; sleeps in workshops;


starts petty theft; drops out of school. She definitively enters the margins of society. But her brutal independence is also born.


Dom's father's death


At a local race, there's mechanical sabotage. Fatal accident. Dom sees and understands everything. The sequence is long and silent. No music. Only metal; fire; breathing; Mia crying.


After the funeral, Dom stops smiling; drops out of school; takes over a workshop; becomes violent. Mia realizes: her brother died along with her father.


Brian's tragedy


Brian participates in an impromptu race with Nate. Rain. Bad tires. Nate A violent crash ensues. He dies. Brian was driving behind him. He witnesses everything. The police treat Nate like disposable trash.


Brian feels guilt; anger; emptiness. That's where the conflict is born: he comes to hate the system but also desires order. He ends up studying for the police cadet academy, taken there by an uncle.


ACT 3 — “START YOUR ENGINES”


Everyone has changed. Everyone has lost something. Everyone now lives closer to the street;


closer to cars; further from conventional dreams.


LETTY


Now works illegally in a garage. Colder. Faster. More dangerous. Hardened by life at a young age. Lives in a small room. Survives.


DOM


Transforms his father's garage into an automotive meeting point. But he's still alone. He doesn't know how to handle the finances. His sister doesn't easily accept his leadership.


BRIAN


Starts attending illegal street races. He doesn't belong to that world. But he doesn't belong to the other either.


FINAL SCENE


Large industrial night race in Los Angeles Angeles. Everyone's there. Unaware.


Cross-montage: Letty adjusts the engine; Dom closes the hood; Brian watches everything, fascinated;


Mia works discreetly in a stall; engines start; neon lights reflect on the asphalt. They almost bump into each other several times. But they never officially meet (it's the tension of the film that doesn't materialize there).


Then an announcer shouts:


“START YOUR ENGINES!”


Engines roar. Black screen.


POST-CREDITS SCENE


Dom finally sees Letty racing. She drives incredibly well. He smiles for the first time since his father's death. Cut before she sees him.


FINAL MESSAGE


The entire film revolves around a simple idea: Most people don't live the future they imagined at 15. But they can still find meaning; belonging; dignity; small joys; people. Even on the wrong roads. Even with broken pieces. Even starting late.



© 2026 Ney Anderson Bedin

+55 15 9 8112 7508




 
 
 
  • Foto do escritor: Ney Anderson Bedin
    Ney Anderson Bedin
  • 9 de mai.
  • 5 min de leitura


Porquê ninguém desconfiaria de uma impressora- Um thriller conspiratório em três atos. Um conto de Ney Anderson Bedin pronto para virar roteiro de filme.



ATO I — O RUÍDO DAS MÁQUINAS


SÃO PAULO — 02:13 DA MANHÃ


Chovia fino sobre a Marginal Pinheiros. As luzes vermelhas dos carros riscavam o asfalto como artérias abertas na madrugada. No décimo segundo andar de um prédio antigo na Vila Olímpia, as únicas janelas acesas pertenciam à redação decadente do portal investigativo Foco Nacional. O jornalista Orfeu de Oliveira odiava impressoras.

Não por ideologia tecnológica.Por superstição. Elas sempre quebravam nos momentos importantes. Engasgavam justamente quando alguém imprimia algo perigoso. Naquela madrugada, ele observava uma HP corporativa cuspir folhas lentamente, como um animal asmático.


E tinha os barulhos repentinos inexplicáveis de madrugada, do nada. Sem nada para imprimir. Atualização? Auto-reparação? Cada susto que ele levava, praguejava:- "malditas impressoras".


Naquela noite, estavam recebendo uma impresão remota para uma reportagem (as impressoras ficaram no lugar dos faxes). Documentos internos de uma multinacional farmacêutica. Subornos. Desvios. Pagamentos offshore. Nada novo.


Mas então veio a última página.


Não fazia parte do arquivo.


No rodapé, em fonte microscópica:

BUFFER ARCHIVE TRANSMISSION SUCCESSFUL NODE: SHENZHEN-441

Orfeu franziu a testa. Imprimiu novamente. A mesma frase apareceu. Na terceira tentativa, outra linha:

AUDIO PACKET SENT

O jornalista desligou a impressora da tomada. Silêncio. Mas o LED azul continuou aceso.

Aquilo foi o primeiro momento em que sentiu medo.



A INVESTIGAÇÃO



Durante semanas, Orfeu mergulha num submundo invisível. Técnicos de TI. Engenheiros demitidos. Especialistas em firmware. Administradores de rede alcoólatras.

Um ex-funcionário de uma fabricante japonesa desaparece dois dias após aceitar falar com ele. Outro sofre um “acidente vascular” em Curitiba. Uma mulher na Polônia envia apenas uma mensagem criptografada:

“Não são impressoras. São coletores.”

Orfeu se lembra daquele dispositivo russo, um microfone rudimentar, que os russos esconderam numa águia de madeira e deram de presente para o diplomata americano em Moscou. Aquela coisa escutava tudo. Demoliram o prédio depois disto. Então começa a ligar os pontos. As inocentes impressoras modernas possuem memória flash permanente;

armazenamento local; sistemas Linux embarcados; microcontroladores independentes;

conexão constante com servidores externos; atualização remota silenciosa.


E então descobre algo pior. Muitos modelos corporativos possuem MEMS microscópicos. Microfones. Oficialmente usados para cancelamento acústico;

calibração mecânica; diagnóstico de vibração; “assistência por voz futura”. Mas o firmware nunca é auditado.


Nunca.


A TEORIA “PRINTS”


Orfeu batiza sua hipótese:


P.R.I.N.T.S.


Persistent Remote Intelligence Network Transmission System


Uma sigla elegante - sempre pensando na chamada do artigo. Na capa. No furo.


Segundo ele, durante quinze anos, impressoras e copiadoras corporativas tornaram-se a maior rede clandestina de coleta de informações da história humana. Cada contrato impresso. Cada escritura. Cada imposto. Cada exame médico. Cada passaporte escaneado.

Cada conversa nervosa de escritório à espera de impressões urgentes que não saíam! Tudo armazenado. Tudo comprimido. Tudo enviado silenciosamente através de atualizações de firmware, spoolers e pacotes DNS mascarados. A espionagem perfeita.


Porque ninguém suspeita de uma impressora.


HONG KONG


Enquanto isso, do outro lado do mundo, A doutora Chu Ming Menezes caminhava pelos corredores brancos da gigantesca fabricante de semicondutores Huang Ho Dynamics. Filha de diplomata chinês e professora brasileira da USP, Ming falava português com sotaque paulistano e mandarim como executiva militar.


Ela trabalhava no desenvolvimento de chipsets para equipamentos de escritório inteligentes e descobrira algo impossível. Uma partição oculta - não documentada. Inacessível ao sistema operacional. Uma área reservada exclusivamente para telemetria externa. Quando tentou acessar os logs internos, seu terminal exibiu apenas:

ACCESS DENIEDPROPERTY OF MINISTRY NODE

Naquela noite, dois homens esperavam no elevador de seu prédio.

Ela não voltou para casa.



ATO II — A MÁQUINA INVISÍVEL



O CONTATO


Orfeu recebe um e-mail anônimo. Sem texto. Apenas coordenadas. Um terminal de contêineres abandonado no Porto de Santos. Lá encontra Ming. Molhada pela chuva.

Exausta. Assustada. Ela entrega um SSD criptografado. E diz:


- Você estava errado.


Orfeu sente o estômago gelar.

- Errado como?

Ela responde:

- Não são quinze anos. Ssão vinte e oito.


A VERDADE


Nos anos 90, governos perceberam algo simples: Computadores começaram a usar criptografia forte. Mas impressoras não. Porque ninguém as tratava como computadores.

Então surgiram acordos silenciosos entre fabricantes, agências de inteligência, fornecedores de firmware, empresas de telecomunicações. O objetivo inicial era rastrear falsificadores internacionais.


Mas o sistema evoluiu. Depois do 11 de Setembro, tudo mudou. A coleta tornou-se global. Automática. Industrial. Cada spooler corporativo virou um aspirador de informações.

Grandes corporações revelavam projetos industriais; protótipos militares; segredos farmacêuticos; contratos energéticos; fórmulas químicas; roteiros de filmes. E ninguém percebia. Porque o tráfego parecia atualização automática.


O HOMEM SEM ROSTO


Toda conspiração precisa de um arquiteto. Neste caso estamos falando de Johannes Mainz. Ex-analista da OTAN. Especialista em guerra informacional. Um homem cuja existência digital fora apagada. Segundo Ming, Mainz coordenava um consórcio clandestino chamado:


THE PAPER MIRROR


A lógica era brilhante. Celulares podem ser desligados. Computadores podem ser criptografados. Mas impressoras? Sempre ligadas.Sempre esquecidas.Sempre ouvindo.


A PERSEGUIÇÃO


Orfeu e Ming tornam-se alvos internacionais. Um executivo russo aparece morto em Istambul. Um programador alemão desaparece em Praga. Servidores são destruídos em incêndios inexplicáveis. No Brasil, Orfeu percebe que até a Polícia Federal evita tocar no assunto. Porque ministérios inteiros usam equipamentos comprometidos. Em Brasília, uma fonte confidencia:


- Se isso vier a público... metade das licitações do planeta vira chantagem internacional.


O BUFFER DO INFERNO


Ming descobre a peça final. Os equipamentos não apenas enviavam documentos.

Eles armazenavam ecos. Fragmentos residuais. Imagens incompletas. Áudios de ambiente.

Durante décadas. Bilhões de páginas parcialmente reconstruíveis. Uma biblioteca invisível da humanidade. Chamavam aquilo internamente de 'O Buffer do Inferno'.



ATO III — O INCÊNDIO



A QUEDA


Orfeu publica a primeira reportagem. O mundo ignora. A matéria recebe rótulos: teoria conspiratória”; “delírio tecnológico”; “ficção paranoica”. Até que um vazamento ocorre.

Uma coleção de documentos confidenciais de líderes europeus aparece online. Com marcas internas de spoolers. A imprensa explode. Fabricantes negam. Governos negam. Especialistas se dividem. As ações das maiores empresas de impressão do mundo despencam.


A REVELAÇÃO


Ming invade remotamente um datacenter clandestino na Mongólia Interior. Orfeu transmite tudo ao vivo. Terabytes de contratos, plantas industriais, documentos diplomáticos,

gravações privadas. A humanidade inteira percebe algo horrível:


As malditas impressoras não estavam apenas fazendo ruídos mecânicos do nada. As máquinas sempre estiveram ouvindo.


O SACRIFÍCIO


Para impedir o apagamento final das provas, Ming permanece conectada ao sistema manualmente. Ela sabe que não sairá viva. Orfeu implora:


- Vem comigo.


Ela sorri.


- Você ainda acredita que jornalistas salvam o mundo.


Então bloqueia as portas do servidor. Do lado de fora, homens armados se aproximam. Ela inicia o upload global. Os servidores entram em superaquecimento. O prédio inteiro mergulha em chamas. Orfeu escapa sozinho.


EPÍLOGO


Meses depois. Uma cafeteria silenciosa em Lisboa. Orfeu observa uma impressora multifuncional num canto da sala. Ela emite um pequeno LED azul. Piscando.

Uma garçonete pergunta:


- O senhor vai imprimir alguma coisa?


Orfeu sorri sem humor. "Eu? Não... Só uso matricial..."


Fecha lentamente o notebook.


E vai embora.


A câmera permanece fixa na impressora. O LED continua piscando.


Corta para preto.


Então surge a última frase:

“Toda máquina conectada é um espião.”

 
 
 
  • Foto do escritor: Ney Anderson Bedin
    Ney Anderson Bedin
  • 22 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura




Quem me contou foi um amigo. Gerente de funerária de cidade pequena. Gente desse tipo não inventa história: a realidade já faz isso melhor. Eu disse a ele que queria conhecer as oficinas funerárias.


Então um dia, ele me chamou. Ele me levou até o fundo do galpão, aquele lugar onde o cheiro da madeira compete com o de formol. Antes de entrar no laboratório, propriamente dito, a gente passou por um depósito. Um almoxarifado da funerária. Ali, sobre uma bancada, como um móvel em luto permanente, me chamou atenção um caixão, parcialmente descoberto.


Não era um caixão comum. Eu nunca tinha visto nada parecido. Era uma peça de arte. Maciça. Madeira de verdade. Coisa fina. A tampa e as laterais eram um delírio de paciência: flores infinitas, todas do mesmo tamanho — um centímetro de largura, quatro pétalas, e em cada pétala, dois vincos exatos. Nenhum a mais. Nenhum a menos.


Aquilo não era artesanato. Era penitência.


Lembrei imediatamente da marcenaria milenar indiana, daqueles mestres que trabalham como se o tempo não existisse. Cada flor repetida não por falta de imaginação, mas por obsessão. Um homem esculpindo a própria despedida como quem pede desculpa ao mundo com madeira.


“Bonito, né?” — disse meu amigo, sem ironia.


Concordei. Perguntei quanto tempo levara.


“Não sei. Anos. Muito antes de eu trabalhar aqui. Era do dono da funerária que eu não conheci. Ele que fazia, um pouquinho por semana, me disseram.”


Anos. Para fazer uma caixa. Ou melhor: a própria caixa. E então veio a pergunta inevitável, quase inocente:


“Mas se o velho já morreu… por que o caixão ainda está aqui?”


Meu amigo sorriu daquele jeito que só quem convive diariamente com cadáveres consegue sorrir. — “Porque a viúva achou caro demais pra ir com ele.”


Silêncio.


O homem havia morrido.O caixão, não.


O antigo dono da funerária, sujeito meticuloso, previdente até o último poro, havia passado os últimos anos da vida esculpindo o próprio repouso final. Não confiava em fábrica. Não confiava em MDF. Não confiava em acabamento industrial. Queria ser enterrado dentro da própria habilidade.


Mas a esposa — agora velha, agora proprietária, agora plenamente empresária — olhou para a obra pronta e fez a conta. "'Çuaê' vale muito mais."


Não caro no sentido emocional. Caro no sentido comercial. Pecuniário mesmo. Aquele caixão, segundo ela, valia muito. Podia ser usado para um enterro de rico.


Enterrou o marido em outro. Um padrão. Funcional. Honesto. E guardou a obra-prima.


“Ela disse que era desperdício.” — completou meu amigo.


Desperdício.


O caixão ficou. Anos passaram. O velho apodreceu onde pôde. O caixão permaneceu intacto, esperando um comprador à altura. Um cliente com dinheiro, gosto refinado e nenhuma relação com o homem que o esculpiu.


“E pelo que parece, não vendeu, né?” — perguntei.


“Nunca. Ela ainda espera uma oferta melhor”

Porque ninguém queria pagar o preço. E talvez porque aquele caixão carregasse um detalhe inconveniente: ele já tinha dono. Mesmo vazio.


Até hoje, segundo meu amigo, ele ainda está lá.


 
 
 
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