top of page
Buscar

A invenção que a Amazon não sabe que inventou.

  • Foto do escritor: Ney Anderson Bedin
    Ney Anderson Bedin
  • 20 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura


A Revolução Discreta do Kindle Colorido: Uma Janela para o Futuro da Fine-Art

Por Ney Anderson Bedin, fotógrafo e professor de fotografia na Tri Amici Academy.



         Ah, a Amazon! Sempre um passo à frente, ou talvez tropeçando para a frente com estilo. Quem diria que o Kindle, aquele discreto gadget amado pelos leitores ávidos, se tornaria, inadvertidamente, uma ferramenta revolucionária para artistas e fotógrafos? Com o lançamento do Kindle com e-ink colorido, a gigante do varejo pode ter desbravado um território que ela mesma sequer suspeita: o mundo da edição de fotografia fine-art.


         Eu me assustei na hora com o Kindle colorido, e não foi apenas com o preço, mas sim, com uma possibilidade tentadora e fascinante. Explico:


         Pense: enquanto nós, mortais comuns, víamos o e-ink colorido como uma melhoria trivial para tornar livros infantis digitais um pouco mais bonitinhos, algo extraordinário estava acontecendo. Esse display, com sua capacidade de simular cores sem a agressiva retroiluminação dos monitores tradicionais, tem o potencial de imitar a aparência de uma impressão em papel de forma assustadoramente fiel


         Agora o que eu quero é um monitor e-ink Amazon de 39 polegadas em 4K. É pedir muito? Sei que é.


         Sim, porque no universo da edição de imagens, existe um dilema eterno. Os monitores RGB brilhantes e vibrantes, com suas cores saturadas e retroiluminadas, mostram uma versão da realidade que raramente se traduz no papel. Aquele vermelho ardente no monitor pode se transformar em um desbotado suspiro quando finalmente impresso. Mas o e-ink colorido, com sua capacidade de reproduzir cores com um aspecto mais “tátil”, promete um nível de autenticidade que beira o mágico. É quase como se o Kindle estivesse dizendo: “É isso o que você verá quando colocar esta obra-prima na parede”.


         E o mais encantador é a ironia de tudo isso. A Amazon, com sua obsessão por maximizar o tempo de tela para consumo (claro, sempre com um toque de conveniência Prime), pode ter criado uma ferramenta que valoriza o físico. Uma ponte inesperada entre o digital e o analógico. A arte, que sempre se preocupou em capturar nuances, pode finalmente ter encontrado uma maneira de vê-las antes que a tinta toque o papel.


         Imagine o impacto disso! Artistas ajustando detalhes minuciosos em suas obras, confiando que o que vêem no e-ink é o que obterão na impressão. A precisão de cores, as sutis variações de tonalidade, a profundidade realista – tudo isso a um clique de distância. Estou aqui propondo a invenção pela Amazon do Kindle e-ink Pro Monitor.

Claro, haverá céticos. “Será mesmo??!”, dirão. E talvez, por enquanto, eles tenham razão. As limitações tecnológicas ainda estão lá: a tela de fundo cinza (quando precisaria ser branca), resolução modesta, gama de cores reduzida, e o ritmo preguiçoso da atualização do e-ink. Mas grandes ideias raramente chegam em pacotes perfeitos. 


         Elas começam assim, tropeçando para fora de contextos inesperados, e aos poucos se transformam em revoluções.


         Portanto, agradeçamos à Amazon por esse pequeno tropeço genial. Jeff Bezos está acostumado a construir foguetes. Talvez possa então ‘mandar para o espaço’ o monitor retro-iluminado de LED para edição de imagens. Poden ternos dado algo que muda a forma como vemos e criamos arte.


         Então, artistas e fotógrafos do mundo, abram suas mentes (e carteiras - não deve sair barato!). Quem diria que o futuro da fine-art talvez esteja na ponta dos dedos – e-ink, tinta, papel e tudo mais? O Kindle colorido é só o começo. 

É o começo do fim da ‘pré-visualização da impressão’.


         Começa a era da ‘visualização fiel da impressão’.



 
 
 

Comentários


bottom of page